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Olá e feliz ano novo!

Sei, sei, já estamos na quarta semana do ano, acontece que estivemos muito ocupados desde dia 10 quando voltamos das curtas férias. Depois de mais da metade do estúdio ter ido à Argentina, termos reorganizado nossas salas no Azuri Building e replanejado os próximos passos do projeto, já era hora de voltarmos a escrever por aqui!

Planning the invasion.

Eu decidi começar o ano retomando minha apresentação dos personagens do Tsar Projeto. A última etapa que mostrei no meu último post foi a criação de um personagem genérico que definiu a estética do jogo.

Once again, the Father of All Tsar Art.

Depois daquelas variações para esse personagem eu parti pra criação de personagens no estilo que foi escolhido. Desenhei então mais alguns tipos de guardas e foi o suficiente para detectar pontos positivos e falhas da escolha, fazer algumas adaptações e começar a traçar um aspecto muito importante dos gráficos do Tsar: diferenciação de grupos de personagens por silhuetas.

Early design for the Tsar Guards

A silhueta é uma das formas mais imediatas de se reconhecer personagens, e essa forma pode dizer muito sobre a função, as habilidades e até sobre a personalidade deles. Comecei pelos os guardas, que já tinham sido separados em categorias distintas pelo Game Design, e com o desenrolar do projeto isso se estendeu a todos os personagens.

More early designs.

Além da função prática de identificar os personagens essa diferenciação acabou sendo um recurso visual muito importante para transmitir a visão que nosso protagonista tem dessas pessoas, animais e criaturas que habitam o Kremlin de Moscou.

Essa orientação se espalhou por boa parte da produção, sempre filtrando tudo pela percepção do personagem principal. Quando chegar a hora falaremos mais sobre ele. Deixo pra falar do desenvolvimento desses personagens pra um próximo post. Até mais!

More guards in my next post!

Olá de volta!

Eu estava falando das diferenças que o Easy Paint Tool SAI tem de outros softwares de pintrua digital, mas não fui muito específico, imagino. Acontece que uma das mais importates dessas diferenças é um tipo de pincel que o SAI tem, se chama Water e até hoje, mais de dois meses desde que eu testei o programa pela primeira vez, ainda tenho dificuldade de explicar como ele é, mas uma coisa é simples, é diferente de qualquer pincel que eu tenha usado no Painter ou no Photoshop. A coisa que mais se aproxima dele é o pincel de óleo do Painter, que aliás eu também gosto muito de usar. Mas o Water tem um comportmento único, o traço é mais fluído, ele faz variações de opacidade, cor e espessura segundo a pressão da caneta, e se mistura e interage com as cores que já estão no canvas de uma forma única. Tentando explicar um pouco disso eu vou apresentar um passo a passo de um dos Concepts que estive fazendo, um Pátio Externo dos Palácios do Kremlin de Moscou.

A primeira etapa consistiu em traçar uma planta dos dois andares de prédios que seriam desenhados, usei só o pincel Water com distorção noise nessa parte.

step01

Depois comecei a ilustração das construções mesmo. Eu usei algumas tantas camadas pra fazer isso, até porque seria interessante ter concepts um tanto quanto desmontáveis, que pudessem mostrar tanto áreas internas quanto externas. Um dos principais objetivos desses concepts é de mapear tilesets, pedaços de padrões e texturas que podem ser reaplicadas nas superfícies, facilitando o preenchimento de grandes áreas. Nesse caso isso aconteceu especialmente no chão, nos telhados e nas paredes de pedra, sendo que os tiles foram usados de forma bem mais solta que o convencional, não tendo limites muito geométricos ou definidos e normalmente deixando algumas lacunas para serem preenchidas manualmente. Ainda estou considerando usar esse mesmo sistema de tiles incompletos para os gráficos finais do jogo mesmo.

tiles&patterns

Agora uma parte onde o SAI ganha muito: iluminação. Ele tem alguns recursos de interpolação de camadas muito incríveis. O que mais me chamou atenção foi o Lumi&Shade, incrível para trabalhar com objetos luminosos e luzes projetadas. Como sugere o nome, além da intensidade de luz ele sobrepõe também a matiz usada, ajudando a criar efeitos de iluminação muito bacanas. Outro bem essencial é o PassTrought, que é aplicado em grupos de layers e permite que os efeitos de interpolação de cada layers dentro do grupo interaja diretamente com os layers abaixo do grupo. Isso é muito importante para manter as layers organizadas.

Lumi&ShadeSAI interface

Bem, no fim das contas depois de umas 3 semanas de trabalho (enquanto também fazia mais 3 outros concepts de cenários, dava uma ajuda pro Bruno e pra Ingrid que estão preparando os arquivos vetoriais de testes de cor dos personagens e fazia eu mesmo alguns desses testes), o resultado do Pátio Externo foi esse:

OutsideYard

Agora eu tenho que ir, meu tempo de teste do SAI está acabando e eu tenho que ir comprar ele pra continuar trabalhando. Por sinal, essa é outra parte ótima dele: a licença para um computador custa meros 50 dólares.

Até mais!

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